independência da América espanhola

A Independência da América Espanhola é o nome do processo no qual os territórios da América, colonizados pela Espanha, se tornaram independentes. Ocorreu no século XIX.

A Independência da América Espanhola foi o processo no qual os colonos da América Espanhola lutaram pela independência. No início do século XIX, a Espanha mantinha com mão de ferro seus territórios na América, nomeando os espanhóis que governavam as capitanias e vice-reinos e, dentro da lógica mercantilista, impondo aos colonos o pacto colonial, pelo qual eles deviam diversas taxas, impostos, serviços e outras obrigações para com os espanhois.

Com a invasão napoleônica, a queda do rei e a nomeação de José Bonaparte como monarca espanhol, o pacto colonial se afrouxou, e os criollos passaram a governar na América Espanhola, impulsionando o movimento emancipacionista. Com a queda de Napoleão, Fernando VII voltou ao trono espanhol, reestabelecendo o absolutismo na Espanha e o pacto colonial na América, o que não foi aceito pelos criollos. Tropas espanholas foram enviadas à América, dando início às Guerras de Independência.

Durante as guerras, diversos líderes surgiram, entre eles José San Martín e Simón Bolívar. Este último sonhava com uma América Espanhola unida e longe do imperialismo europeu e norte-americano. No entanto, e ao contrário do sonho de Bolívar, a América Espanhola se fragmentou em diversos países.


Resumo


  • A Independência da América Espanhola ocorreu no século XIX, no contexto das Guerras Napoleônicas.
  • O iluminismo, a Independência dos Estados Unidos e a Revolução Francesa foram referências e inspirações para os movimentos da Independência da América Espanhola.
  • Os criollos foram os principais líderes da Independência da América Espanhola.
  • Durante o período colonial, os criollos não podiam ocupar os altos cargos administrativos dos vice-reinos e capitanias.
  • Os criollos controlavam o poder municipal, sendo a maioria eleita para os cabildos.
  • Durante a invasão napoleônica à Espanha, os cabildos se tornaram juntas governativas.
  • A autonomia dos criollos e o afrouxamento do pacto colonial impulsionaram a luta por independência.
  • Buscando novas fontes de matéria-prima e novos mercados consumidores, a Inglaterra foi a principal financiadora da Guerra de Independência da América Espanhola.
  • Simón Bolívar ficou conhecido como O Libertador, liderando a luta pela independência de diversos países da América do Sul.
  • No processo de independência, o território da América Espanhola se fragmentou, dando origem a diversos países.
  • Durante uma década, Venezuela, Colômbia e Equador foram um único país, a Grã-Colômbia.

  • Contexto histórico 


    Os países da América Espanhola se tornaram independentes em períodos diferentes e tiveram motivações diferentes. Neste artigo, destacaremos o contexto geral desse processo.

    O primeiro contexto em que a Independência da América Espanhola ocorreu foi o das Guerras Napoleônicas. Em 1807, as tropas de Napoleão invadiram a Espanha, conquistando o país e obrigando o rei espanhol, Fernando VII, a abdicar. Napoleão nomeou seu próprio irmão, José Bonaparte, para governar o país invadido.

    Na América Espanhola, a elite criolla se recusou a obedecer a um governante inimigo, assumindo o governo nas capitanias e vice-reinos por meio dos cabildos, que se tornaram juntas governativas.

    Outro contexto no qual a Independência da América Espanhola ocorreu foi o do imperialismo norte-americano, que, fundamentado na Doutrina Monroe e na aplicação da política do Big Stick, buscou garantir a sua influência nos países recém-independentes da América Espanhola a partir do último quarto do século.

    A Independência da América Espanhola também ocorreu no contexto dos movimentos liberais do século XIX. As ideias iluministas, assim como a Independência dos Estados Unidos e a Revolução Francesa, serviram como fonte de inspiração para os líderes e demais participantes da Independência da América Espanhola.


    Como foi o processo de Independência da América Espanhola?

    O processo de Independência da América Espanhola se iniciou no México, quando o padre Miguel Hidalgo e Costilla proclamou o Grito de Dolores, conclamando a população do Vice-Reino de Nova Espanha a lutar por sua independência.

    Inicialmente o processo de Independência do México foi liderado pelos padres Miguel Hidalgo e José Maria Morelos, ligados à população mais pobre e que, além da independência, falavam em igualdade e reformas sociais.

    No decorrer da guerra, o movimento passou a ser liderado por militares e pela elite criolla. Em 1821, a Espanha reconheceu a Independência do México, que passou a ser governado por Agustín de Iturbide, que, em 1822, se tornou imperador do México. A monarquia durou pouco mais de um ano, e o México se adotou a república como forma de governo.

    José San Martín e Simón Bolívar

    Na América do Sul, a elite criolla também liderou o processo de independência dos países de língua espanhola. José San Martín e Simón Bolívar foram os dois principais líderes desse processo, ficando conhecidos como os Libertadores da América, nome do principal torneio de clubes de futebol das Américas.

    Antes da invasão de Napoleão, os criollos estavam excluídos da alta administração dos vice-reinos e capitanias, pois somente os chapetones, espanhóis de nascimento, podiam ocupar os altos cargos da administração colonial. Os criollos controlavam os cabildos, órgãos municipais responsáveis pelo governo local na América Espanhola.

    Após a deposição de Felipe VII, os principais cabildos da América do Sul se tornaram juntas governativas, e os criollos passaram a governar os vice-reinos e capitanias, não cumprindo as ordens de vice-reis e capitães. Com o passar do tempo, as ideias emancipacionistas ganharam força nos cabildos e, gradativamente, eles foram declarando a independência da Espanha.

    O primeiro país a se tornar independente na América do Sul foi o Paraguai, que promoveu o cabildo de Assunção à junta governativa em 1810. Buenos Aires considerava o Paraguai parte do território do Vice-Reino da Prata e enviou tropas para combater o que considerava separatismo. Os paraguaios venceram as tropas argentinas e se declararam independentes em 14 de maio de 1811.

    Outro país que proclamou sua independência ainda quando a Espanha era ocupada pelas tropas napoleônicas foi a Venezuela, que se declarou independente em 5 de julho de 1811. Os demais cabildos permaneceram fiéis ao rei Fernando VII, na época prisioneiro nas mãos de Napoleão.

    Com a queda do imperador francês, Fernando VII retornou ao poder e tentou reestabelecer as condições anteriores, nomeando os governantes da América Espanhola, cobrando impostos e controlando as tropas na América. A elite criolla não aceitou as imposições do monarca espanhol e uma nova onda de independência varreu a América Espanhola.

    Desta vez Simón Bolívar e José San Martín, dois líderes militares criollos, lideraram a maior parte das batalhas. Bolívar foi o principal líder do processo de Independência da Venezuela, da Colômbia, do Equador, Peru e Bolívia, que tem este nome em sua homenagem. O Libertador desejava ver uma América unida, tornando-se uma potência mundial, com muitos recursos e população.

    Venezuela, Colômbia e Equador chegaram a formar um único país, a Grã-Colômbia, mas esta se fragmentou em 1831. Ainda hoje, os três países mantêm as cores da antiga bandeira da Grã-Colômbia em suas bandeiras nacionais. Bolívar defendia ainda que a América deveria se desvencilhar do imperialismo norte-americano e britânico após concluir seu processo de independência.

    Bandeira da Grã-Colômbia. Suas cores estão presentes na bandeira da Venezuela, Equador e Colômbia.

    San Martín, criollo e militar de carreira de uma próspera família de Corrientes, na Argentina, foi o líder militar da Independência da Argentina, do Chile e do Peru. O Uruguai, antiga província Cisplatina, foi disputado por todo o período colonial por portugueses e espanhóis, e, após a independência, passou a ser disputado por brasileiros e argentinos. A Cisplatina foi integrada ao território brasileiro durante o processo de independência do nosso país.

    Em 25 de agosto de 1825, a Cisplatina se declarou independente do Brasil. O fato levou à eclosão da Guerra da Cisplatina, travada entre o Império do Brasil e as Províncias Unidas do Rio da Prata (Argentina) pela posse da Cisplatina. Em 1828 o conflito se encerrou, sob mediação inglesa, e o Uruguai se tornou um Estado independente do Brasil e da Argentina. Ele foi criado como um Estado tampão, com o objetivo de evitar novos conflitos entre as duas potências regionais.

    Cuba se tornou independente da Espanha apenas em 1898, quando a metrópole reconheceu a independência do país. Durante as Guerras de Independência, as forças cubanas receberam apoio dos Estados Unidos, que, pela Doutrina Monroe, buscavam expulsar os espanhóis do continente e garantir, assim, a "América para os americanos".

    Após a independência, Cuba assinou a Emenda Platt, esta permitiu que os norte-americanos intervissem em Cuba quando necessário e que parte do território cubano fosse entregue aos Estados Unidos — a região de Guantánamo, ainda hoje em posse dos EUA.


    Causas da Independência da América Espanhola

    A principal causa da Independência da América Espanhola foi a invasão napoleônica da Espanha. As tropas de Napoleão invadiram o território espanhol em 1807, e, no ano seguinte, capturaram Fernando VII, rei da Espanha, obrigando-o a abdicar. José Bonaparte, irmão de Napoleão, foi nomeado José I da Espanha, passando a governar o país.

    Com um rei inimigo no poder, os criollos transformaram os cabildos nas instituições que passaram a governar a América Espanhola, chamadas agora de juntas governativas. Pela primeira vez, os colonos americanos tinham autonomia política e econômica, o que impulsionou os movimentos por independência.

    O autoritarismo de Fernando VII foi outro motivo que levou à Independência da América Espanhola. A retornar ao poder, após a queda de Napoleão, em 1814, Fernando VII reestabeleceu o absolutismo na Espanha por meio de um golpe de Estado.

    O monarca também tentou recolonizar América Espanhola, retirando o poder dos cabildos, nomeando os governantes e cobrando os impostos devidos. O autoritarismo do rei levou os cabildos que ainda eram fiéis ao monarca a declararem a independência.


    Quem apoiou a Independência da América Espanhola?

    A Inglaterra foi a principal apoiadora do processo de Independência da América Espanhola. O país era, no século XIX, o maior império do mundo, assim como a maior potência industrial e comercial.

    A América Espanhola, com seus recursos naturais e mercado consumidor, era fechada para a Inglaterra, por esse motivo o país passou a apoiar os movimentos separatistas daquela região. O fim do controle espanhol abriria o mercado da América Espanhola aos ingleses.

    Os britânicos apoiaram os movimentos separatistas da América Espanhola de diferentes formas, financiamento a guerra, vendendo armas, enviando mercenários para os combates e transmitindo aos colonos informações estratégicas.

    A partir do último quarto do século XIX, os Estados Unidos se tornaram o maior apoiador da independência dos países que ainda eram colônias da Espanha. Decisivos para a independência cubana, em 1898, os Estados Unidos se apropriaram de parte do seu território e transformaram aquele país numa espécie de protetorado.


    Principais acontecimentos da Independência da América Espanhola

    1. Grito de Dolores: ocorrido em 16 de setembro de 1810. Neste dia o Padre Hidalgo tocou o sino da igreja local, reunindo o povo da região e conclamando a todos a lutarem pela Independência do México. A data é um dos marcos iniciais do processo de Independência da América Espanhola.
    2. Batalha de Carabobo: travada em 24 de junho de 1821, entre tropas lideradas por Simón Bolívar e tropas espanholas. A vitória venezuelana na batalha possibilitou a conquista de Caracas e a expulsão dos inimigos de seu território.
    3. Grã-Colômbia: um dos ideais de Simón Bolívar era o de criar uma América Espanhola unida, um superpaís cuja capital seria, provavelmente, no Panamá. A Grã-Colômbia foi fundada em 1821 e dela fizeram parte a Colômbia (na época o Panamá era parte da Colômbia), Venezuela e Equador. A Grã-Colômbia se fragmentou em 1831, quando os três países se tornaram independentes.
    4. Revolução de Maio de Buenos Aires: ocorrida em maio de 1810, nela o vice-rei foi deposto e o cabildo de Buenos Aires, agora como junta provisória, passou a governar o vice-reino.

    Consequências 

    Ao contrário do que ocorreu na América Portuguesa, onde o território não se fragmentou e se tornou o Brasil, na América Espanhola o território se dividiu em diversos países. Outra consequência da Independência da América Espanhola foi a proclamação de diversas repúblicas. Ao contrário do Brasil, a maior parte dos países da América Espanhola adotou a república como forma de governo.

    Após a saída da Espanha, os ingleses ocuparam o vácuo criado, passando a ter forte influência econômica e política nos países recém-criados. Assim como no Brasil, os ingleses exploraram recursos econômicos do antigo território da América Espanhola, fizeram empréstimos e construíram infraestrutura, como portos, ferrovias, linhas de bonde e redes de iluminação pública.


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