Revoluções inglesas

O que foram?

As Revoluções Inglesas foram um conjunto de transformações políticas ocorridas na Inglaterra no século XVII. Esses eventos marcaram a transição do absolutismo para um regime de monarquia constitucional, onde o Parlamento passou a ter mais poder que o rei. Entenda os principais acontecimentos e por que essas revoluções foram tão importantes para a história do Ocidente.


Contexto histórico 

No início do século XVII, a Inglaterra era governada por reis absolutistas que concentravam o poder e desrespeitavam o Parlamento. A população estava dividida por questões religiosas, principalmente entre anglicanos, puritanos (protestantes mais radicais) e católicos. Ao mesmo tempo, a burguesia ganhava força com o crescimento do comércio e exigia mais participação nas decisões políticas.



As dinastias Tudor e Stuart

Tendo em vista a ascensão econômica de um grupo social antagônico à nobreza de características feudais, fica fácil ver como a Revolução Puritana se desenrolou.

A dinastia Tudor, que reinou na Inglaterra de 1485 a 1603, foi uma grande apoiadora do mercantilismo e pautou a sua atuação e autoridade política no trabalho conjunto com o parlamento.

Em 1603, quando Elizabeth I deu lugar ao primeiro monarca da Casa dos Stuart, a situação se inverteu. Jaime I e posteriormente o seu filho, Carlos I, adotaram uma política de fortalecimento da nobreza de origem feudal e passou a governar sem o apoio e aprovação do parlamento, instituição onde as demais classes sociais eram representadas.

Além disso, os Stuart eram Anglicanos fervorosos e não se furtaram de perseguir e combater o protestantismo, destacadamente os puritanos. Outro fator que não contribuiu para uma boa relação dos novos monarcas era o fato de eles serem escoceses, e não ingleses, intensificando o descontentamento com a nova política real.


O estopim da Revolução

Puritana 

Em 1628, Carlos I foi obrigado a assinar a "Petição dos Direitos", que protegia a população contra tributos e detenções ilegais. No ano seguinte, Carlos I dissolveu o Parlamento e passou a governar de forma autoritária por mais de dez anos.

Até que em 1640 o parlamento fora convocado novamente, e após novos embates entre o rei os membros das casas parlamentares, Carlos I decidiu dissolvê-lo mais uma vez. Eis o estopim da revolução.


Revolução Puritana 

(1640-49)

Entre os anos de 1641 e 1649, aconteceu a revolta que levou o nome de Revolução Puritana, e de 1649 a 1658 foi o breve período em que a Inglaterra se constituiu em uma República, com a abolição da monarquia vigente à época e a execução pública do rei.

O rei Carlos I tentou governar sem o Parlamento, aumentando impostos e impondo práticas religiosas impopulares. Em resposta, surgiu uma guerra civil entre os Cavaleiros (apoiadores do rei) e os Cabeças Redondas (parlamentares, liderados por Oliver Cromwell).

Em 1649, os parlamentares venceram a guerra. Carlos I foi julgado e executado, e foi proclamada a República (Commonwealth) na Inglaterra.

Oliver Cromwell, militar e político inglês convertido ao puritanismo, foi o líder mais importante da Revolução Puritana e responsável por dar nome ao único período republicano da história inglesa. Ao fim de todo esse processo, a Inglaterra viveu a consolidação do mercantilismo burguês e lançou as bases para a revolução industrial que aconteceria no século seguinte. 

As bases da Revolução Puritana

A chave para compreender a Revolução Inglesa, dentro da qual a Puritana foi o passo inicial, é identificar as contradições sociais do século 17.

De um lado, a burguesia recém empoderada por meio da expansão mercantilista e crescimento da manufatura e comércio ultramarino, de outro, a nobreza tradicionalista, calcada nos valores medievais e herdeira de uma cultura de opulência e gastos improdutivos.

A nobreza era fortemente adepta da Igreja Anglicana, ao passo que a maior parte da burguesia em ascensão era protestante, como o próprio Oliver Cromwell. Os primeiros séculos do capitalismo inglês (15, 16 e 17) foram marcados pela forte expansão do comércio marítimo e instituição de um regime econômico baseado no comércio e na defesa de uma balança comercial superavitária.

A burguesia foi o grande grupo social que saiu fortalecido desse processo, que teve como destaque os cercamentos, que culminaram com a expulsão dos camponeses da zona rural e o crescimento da produção manufatureira voltada para o mercado externo.




Instauração da República de Cromwell

A guerra civil que teve início com a dissolução do parlamento em 1640 colocou de um lado os os membros da alta nobreza inglesa, funcionários do Estado e o clero anglicano, e de outro os agricultores capitalistas e a burguesia urbana, assim como pequenos comerciantes e outros grupos ligados ao protestantismo.

Foram quase dez anos de combates até que em 1649, após ser preso e condenado, o Rei Carlos I foi decapitado e foi instaurada a República de Cromwell.


República de Cromwell 

(1649-1658)

A República de Cromwell foi um período de exceção na história da monarquia do Reino Unido, caracterizado por uma revolta do Parlamento diante de um monarca que não tolerava objeções aos seus desejos e que acabou executado por traição à pátria. Oliver Cromwell assumiu o poder como "Lorde Protetor" e transformou a república em uma ditadura militar. Durante esse período, ele reforçou a moral puritana, perseguiu opositores e fortaleceu a marinha e o comércio inglês. Após sua morte, seu filho não conseguiu manter o controle do país.

Ao assumir o poder, Oliver Cromwell promulgou os famosos Atos de Navegação, garantindo proteção aos comerciantes ingleses no comércio ultramarino e colocando um importante obstáculo à concorrência holandesa e espanhola nos mares. Essa é vista como a ação mais importante da República de Cromwell.

A vida da República não foi fácil, porém. Foram várias rebeliões e a oposição política a Cromwell no próprio Parlamento foi muito forte. Face a esse contexto, o antigo líder da revolução puritana decidiu repetir o ato de Carlos I e dissolveu o Parlamento em 1653, dando início a um período autoridade pessoal e repressão.

De 1653 a 1658 Cromwell foi o Lorde Protetor da República, título criado por ele mesmo para a sua posição de autoridade. Em 1658, Richard Cromwell, filho de Oliver, assumiu o poder no lugar do pai falecido naquele ano(quase uma transmissão de trono real, não é mesmo?).

O novo líder da República não conseguiu fazer frente à oposição. No mesmo ano da morte de Oliver Cromwell, nobres e antigos apoiadores do Rei Carlos I colocaram em marcha uma contra revolução e derrubaram Richard do poder. A Monarquia foi restaurada dando fim à breve República de Cromwell. 


Restauração da monarquia (1660) 

A Restauração da monarquia inglesa teve seu início em 1660 quando as monarquias inglesa, escocesa e irlandesa foram todas restauradas sob o domínio de Carlos II, após o Interregno (1649-1660) que se seguiu à Guerra Civil Inglesa (1642-1651).

A Restauração da Monarquia Stuart nos reinos da Inglaterra, Escócia e Irlanda ocorreu em 1660, quando Carlos Stuart, filho mais velho de Carlos I (executado em 30 de janeiro de 1649), retornou de seu exílio na França, após receber um convite do Parlamento Inglês para assumir o trono. Antes disso, de 1653 a 1659, a Inglaterra viveu um período que ficou conhecido como Protetorado, com Oliver Cromwell à frente do governo, sendo sucedido por seu filho Richard Cromwell.

O termo "Restauração" é utilizado para definir os anos em que Carlos II (de 1660 a 1685) e seu irmão Jaime II (de 1685 a 1688) reinaram. O período teve fim com a invasão do príncipe holandês Guilherme de Orange, que iniciou a chamada Revolução Gloriosa, a convite de líderes do Parlamento. Maria, filha de Jaime II e esposa de Guilherme, assume o trono dando continuidade à Dinastia, entretanto, com um novo sistema de governo.


Restauração da dinastia Stuart 

(1660-1688)

Com a morte de Oliver Cromwell, o fortalecimento dos movimentos sociais radicais e a instabilidade política preocupavam os monarquistas e antipuritanos, que articularam o retorno da dinastia Stuart ao poder, período conhecido por Restauração. Com a destituição de Richard Cromwell, formou-se o Parlamento-Convenção, que proclamou Carlos II rei da Inglaterra em 1660.

No poder, Carlos II exumou o corpo de Oliver Cromwell e o pendurou na forca. Além disso, aproximou-se do setor católico, gerando um forte descontentamento na ala puritana. Nesse sentido, o rei foi pressionado pelo Parlamento a assinar a Lei da Exclusão em 1679, por meio da qual se proibia católicos de assumirem cargos públicos.

Após a sua morte, em 1685, seu irmão, Jaime II, assumidamente católico, assumiu o trono. Jaime II buscou restaurar o absolutismo, gerando um grande descontentamento entre os parlamenteares, que articularam um golpe para retirá-lo do poder.


Revolução Gloriosa e a fundação da monarquia parlamentarista

Buscando retirar o católico rei Jaime II do poder, o Parlamento inglês convidou a filha e seu esposo — Maria Stuart e o holandês Guilherme Orange — para assumirem o trono. Com receio de ter o mesmo fim de Carlos I, Jaime II refugiou-se na França. Por não ter havido derramamento de sangue ou guerras, o episódio ficou conhecido como Revolução Gloriosa. Outro fator importante é que a Revolução Gloriosa se inspirou na teoria do liberalismo político do pensador John Locke.

Guilherme Orange foi coroado rei como Guilherme III, assinando, em 1689, a Declaração de Direitos (Bill of Rights), por meio da qual abdicava qualquer tentativa de submeter o Parlamento.

A Declaração de Direitos limitava o poder do rei em assuntos militares e tributários; firmava a autonomia do judiciário, a liberdade de imprensa, a liberdade religiosa; e definia as reuniões e eleições parlamentares, transformando a Inglaterra em uma monarquia liberal. Além disso, as decisões administrativas seriam tomadas por ministros sob a autoridade do Parlamento e não mais pelo rei. Ainda, em 1694, foi criado o Banco da Inglaterra. 


Consequências e importância da Revolução Inglesa

A Revolução Inglesa abriu espaço para o fortalecimento do poder político da burguesia, favorecendo o desenvolvimento do capitalismo e dando condições para a realização da Revolução Industrial no século XVIII.

A Revolução Inglesa deu a base para o parlamentarismo que existe até hoje na Inglaterra. Ademais, ela pode ser percebida como uma das primeiras manifestações da crise do Antigo Regime, pautado no absolutismo monárquico, e pode ser considerada como a primeira revolução burguesa na Europa."

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